• Luiz Aquila

Com muita leveza e impulso

Luiz Aquila

A exposição simultânea de obras de um mesmo artista em mais de uma galeria foi provocada, inicialmente, pela escassez de espaço: o custo do aluguel obrigou as galerias a diminuírem o tamanho. Esse recurso virou moda e agora temos a exposição de um mesmo pintor em muitos lugares ao mesmo tempo. É o caso de Luiz Aquila, que mostra um conjunto de quadros recentes na Galeria Paulo Klabin depois de ter aberto uma retrospectiva de desenhos e gravuras na Galerie Espace, uma tela gigante na gare da Central do Brasil, um quadro no restaurante Helsingor e outro conjunto de pinturas no Centro Integrado de Educação Pública Presidente Tancredo Neves. Convencido de que as pessoas se deslocarão a todos esses pontos para ver seus trabalhos, ele acredita que cada mostra remeterá à outra e ajudará em seu mútuo esclarecimento.

Luiz Aquila é considerado o pai da Geração 80 que assinala o novo rumo da pintura jovem no Rio de Janeiro. Tudo começou na Escola do Parque Lage, onde ele deu um curso de pintura junto com Charles Watson, John Nicholson e Cláudio Kuperman. “Tínhamos maneiras diferentes de pintar”, diz Aquila, “mas acreditávamos na possibilidade da cor no espaço bidimensional”. O trabalho em conjunto com os alunos funcionou como um fator de desmistificação e estímulo, surgindo daí uma atividade pictórica vigorosa e livre que veio sepultar a metapintura e a arte conceitual.

Os desenhos e gravuras de Aquila, datados de 1965 a 82, revelam um artista preocupado com as sutilezas da linha e a delicada assimetria das composições, que evolui para uma linguagem mais impulsiva e solta, que é o traço de sua pintura de hoje. Os quadros expostos na Paulo Klabin dão testemunho dessa maneira livre de compor e executar a obra. A sensação que se tem é de uma estrutura esfacelada e recomposta arbitrariamente, de que resulta uma co


mposição conflitual (elementos geométricos e manchas) que se sustenta pela força da cor. É sobretudo nos elementos cromáticos que repousa a expressividade dessa pintura.

Ferreira Gullar Isto É, 28 de agosto de 1985


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