• Luiz Aquila

Luiz Aquila da Rocha Miranda


As artes plásticas brasileiras revelam pouco apego à tradição. Formado a partir de raízes indígenas, européias e africanas, aberto para o futuro, o Brasil é um país de vocação americana. A linguagem do artista visual brasileiro, através de todas as tendências e modismos, ostenta, inegavelmente, certas características comuns: a concisão de linguagem, clareza conceitual, a elegância, mesmo quando ingênua ou rude, uma certa limpidez de tratamento. Ao contrário do que ocorre na maioria dos países hispano-americanos, o Brasil, relevadas algumas exceções, é pobre em artistas de tendência expressionista ou surrealista.

Luiz Áquila da Rocha Miranda é, no sentido esboçado acima, um artista nitidamente brasileiro. Como um Volpi, um Camargo, uma Clark. Mais do que isso, é o primeiro e mais puro intérprete da paisagem do Planalto Central Brasileiro, no seu encontro transfigurador com a Nova capital do país.

Pertencente à geração posterior a dos pesquisadores dos anos 50, teóricos do concretismo e do neo-concretismo brasileiro, tendo iniciado seu processo de criação após o período de plena vigência, na década de 60, do neo-figurativismo, herdou, em termos de linguagem, a clareza e disciplina dos primeiros. Do Movimento inspirado na “Pop-Art” norte americana, adquiriu a noção do objeto de arte como cartaz , ou seja, como veículo acessível de idéias coerentes.

Nascido no Rio de Janeiro, passou os anos decisivos de sua formação profissional em Brasília. Viu surgir a nova Capital nos espaços abertos e luminosos do planalto; soube, como ninguém sentir o entrelaçamento daquela natureza agreste, daquela amplidão cósmica com a arquitetura elegante e pungente que ali se erigiu.Sua obra está marcada pelo fato que foi em Brasília que aprendeu a “ver”. Ali, ficou possuído pela visão mágica do Planalto Central, de um espaço ainda virgem e essencial, no qual o homem se sente intimamente elevado e identificado aos elementos cósmicos.

A captação desse sentido de infinito se faz, no artista, através de uma linguagem pictórica, que , de tão clara e despojada, é quase versal.daí a extrema contemporaneidade de sua obra.Mais que transcrições, seus quadros são poemas sem palavras, dedicados à paisagem em que viveu e que sentiu de todos os ângulos.Não são reproduções, mas apresentações conceituais das chapadas, das ondulações do terreno, dos fachos de luz, do céu, do ar, da arquitetura, das fachadas, dos perfis de edifícios.Vistos do alto, ou de um carro em movimento, ou de dentro de alguma fantasia.É o primeiro poeta visual de Brasília, da paisagem de Goiás que sentiu sob todas as suas apresentações e texturas, cujas variações de luminosidade acompanhou do amanhecer ao crepúsculo, em todas as estações do ano.

Vera Pedrosa.

Texto de apresentação para a exposição do artista na Elvaston Gallery – Londres - em 1973


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